terça-feira, 25 de março de 2008

Nada muda

Nada muda

Sem palavras,
permaneço muda.
Nada muda.
O tempo só passa
para quem é feliz.
Para quem é triste,
o tempo resiste,
insiste em retroagir.
O passado vem à tona,
abre a ferida novamente.
E quem sente a dor
de reviver a angústia,
custa a crer que existe
algo bom na vida.
Se é que existe vida...
Para quem sofre,
a vida é morte diária.
E cada vez mais,
quando se pensa em gritar,
a voz falha.
E quanto mais se tenta,
mais ela falta.
Um grito silencioso,
a fala sem som...
Segredando o que não é segredo,
não porque quer,
nem porque sente medo.
Mas porque não consegue
externar o incontentamento.
Engolida a seco,
Numa reviravolta,
A revolta se revira
E volta sem sucesso.
Já não adianta mais.
Acontece tudo outra vez...
As lembranças vêm torturar.
O cotidiano se repete,
rotineiramente insuportável.
Neste vício de ser vicioso,
o tempo retorna para lembrar
que permaneço muda.
Nada muda.


Lenita, 20/08/06

Um comentário:

Mari disse...

Olha só!! praticamente um renato russo!! hauahaua to zoando!! Adorei o jogo de palavras (eu sei que isso tem um nome mas não vou lembrar agora). Deu vontade de escrever um "Ode à antítese" rsrs beijo amiga!