quinta-feira, 27 de março de 2008

Calar-me-ei...

Calar-me-ei...

Escrevo-te para dizer que te amo.
Não adianta escrever, eu sei.
As palavras já não são suficientes.
Como faço então?
Se os poemas já não rimam,
se as cartas já não falam,
se a fala já não diz...
Se de versos te fartei,
se de frases te cobri,
hoje inundo-te de silêncio.
O vazio do papel,
a afasia que vem da garganta
são a representação do indizível.
O sensível não precisa ser dito:
sintamos apenas!
Sentimentos calados,
palavras guardadas.
Rasgo o vocabulário,
pois nenhuma língua traduz
o tanto de amor que tenho:
imensuravelmente imenso.
Da minha boca,
somente beijos terás.
Emudeci, calei-me.
De minhas mãos,
apenas afagos.
Também as calei,
não escreverão mais.
Ouça o inaudível:
todos os sons silenciados.
Veja o invisível:
meus textos apagados.
Para dizer que te amo,
não entoarei uma só frase,
sequer alguma sílaba ou letra.
Aprendas a ler o meu olhar,
a escutar meu coração.
Direi tudo ao não falar nada.
Espero que, castrando minha voz
e tolhendo minha escrita,
possa eu mostar-te sem poemas,
cartas ou declarações,
que és meu
grande,
verdadeiro
e único
amor.

14/3/06

Um comentário:

Mari disse...

E as palavras mais sinceras, os poemas mais bonitos, são pouco muito pouco, diante do olhar transparente de um apaixonado. Há de calar-te, mas não feche os olhos: prefere ver! e com o coração!
:o)
Beijo, amiga!