domingo, 23 de março de 2008

Carta

Carta

Doce alento
trazido pelo tempo,
levado pelo vento,
esquecido por esquecimento...
Sons ecoados pela vida,
deixados na triste partida.
Lembrança daquele presente
onde presença era constante
e agora se faz tão distante,
que saudade é o que sente.
Ficou pelo menos a carta,
o desenho daquela letra.
As palavras se tornam aladas
e vão acalentar a alma
dissipando a grande nostalgia.
Reinventam toda a poesia,
transformando de vez a poética,
fazendo a rima desnecessária,
realizando a beleza imaginária,
recontando qualquer métrica,
desprendendo-se da retórica,
desfigurando a figura estética.
E é apenas um pedaço de papel...
A caneta fez-se pincel
e usou todas as invisíveis cores
para pintar de diversos sabores
a memória que passa em telas.
Quando lida, a carta revela
certezas duvidosas do amor,
diz que o perfume não vem da flor,
mas do sonho não concretizado,
que deixa rastros para ser alcançado.

Lenita, 26/7/06

Um comentário:

Mari disse...

"(...)A caneta fez-se pincel
e usou todas as invisíveis cores
para pintar de diversos sabores
a memória que passa em telas.(...)"

Ahhh, linda! Sou sua fan! rsrs
Sério!! tocou o coração!
:o)