E se as vidas já não se encontram,
mesmo saudosas, plenas de vazio,
o tempo se encarrega de atenuar
o resquício da partida repentina.
Tenho por saída um breve choro,
meio mar, meio lago...
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Meio literário
Hoje acordei meio literário.
Tirei do armário
meus melhores poemas
e meus melhores amores.
Guardei na gaveta
minha humilde caneta
e escrevi com os olhos
o que me disseram as flores.
Descobri dobrados
versos que nunca mais li,
aqueles que esqueci
para que eu fosse lembrado.
E senti o perfume de novo
das velhas palavras cativas,
que se mantêm vivas
por eu tê-las apagado...
Tirei do armário
meus melhores poemas
e meus melhores amores.
Guardei na gaveta
minha humilde caneta
e escrevi com os olhos
o que me disseram as flores.
Descobri dobrados
versos que nunca mais li,
aqueles que esqueci
para que eu fosse lembrado.
E senti o perfume de novo
das velhas palavras cativas,
que se mantêm vivas
por eu tê-las apagado...
sábado, 10 de janeiro de 2009
Natureza
Lembre das nuvens,
disformes e brancas
tal um pensamento.
Pense também na água,
transparente e escorreita
tal a mais pura verdade.
Concentre-se na árvore,
fincada em sua terra
tal um homem em seu lugar.
Imagine a natureza,
o único todo que existe,
tal você e eu.
disformes e brancas
tal um pensamento.
Pense também na água,
transparente e escorreita
tal a mais pura verdade.
Concentre-se na árvore,
fincada em sua terra
tal um homem em seu lugar.
Imagine a natureza,
o único todo que existe,
tal você e eu.
O azul, o mar e o cheiro das rosas
Você me trouxe de volta
a cor, o cheiro e o sabor.
Recoloriu o azul,
tom da nossa poesia,
antes tão cinza
por que não mais existia.
Pôs no lugar as rosas
arrancadas de seu perfume,
quando este na verdade era belo
ainda que sem as flores
e aquelas bastante cheirosas
mesmo sem seus olores.
Devolveu ao mar o sal
que dele retirou
para torná-lo doce:
mas o fez insosso.
O mar é melhor salgado
do que sem gosto...
a cor, o cheiro e o sabor.
Recoloriu o azul,
tom da nossa poesia,
antes tão cinza
por que não mais existia.
Pôs no lugar as rosas
arrancadas de seu perfume,
quando este na verdade era belo
ainda que sem as flores
e aquelas bastante cheirosas
mesmo sem seus olores.
Devolveu ao mar o sal
que dele retirou
para torná-lo doce:
mas o fez insosso.
O mar é melhor salgado
do que sem gosto...
domingo, 4 de janeiro de 2009
Repleta
Cada vez que olho pro seu rosto,
passeio por cada detalhe ínfimo
à procura de um olhar íntimo,
cúmplice dos meus olhos.
Parece que não encontro
as palavras e os gestos.
Mas seus beijos me encontram
e nem penso mais.
Sua presença me apraz
e isso é o que basta
para que a felicidade aconteça.
Desde que seu abraço me amorteça
sempre que nele me lançar,
a vida se tornará mais completa,
existindo só nós dois: repleta.
passeio por cada detalhe ínfimo
à procura de um olhar íntimo,
cúmplice dos meus olhos.
Parece que não encontro
as palavras e os gestos.
Mas seus beijos me encontram
e nem penso mais.
Sua presença me apraz
e isso é o que basta
para que a felicidade aconteça.
Desde que seu abraço me amorteça
sempre que nele me lançar,
a vida se tornará mais completa,
existindo só nós dois: repleta.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Chuva
Chove aqui dentro.
Um garoa constante
que me enche aos poucos
até chegar aos olhos.
As lágrimas não são lágrimas:
são gotas da fina chuva
transbordando de mim.
Água doce, água salgada...
Água amarga e sem cor.
Água sem sabor como toda água.
Chuva chorada sem pressa,
sem represas e barragens.
Escorrem os filetes pelo rosto
até a boca sentir o gosto de mar,
gosto de rio, gosto de chuva
que molha a terra e purifica o ar.
Um garoa constante
que me enche aos poucos
até chegar aos olhos.
As lágrimas não são lágrimas:
são gotas da fina chuva
transbordando de mim.
Água doce, água salgada...
Água amarga e sem cor.
Água sem sabor como toda água.
Chuva chorada sem pressa,
sem represas e barragens.
Escorrem os filetes pelo rosto
até a boca sentir o gosto de mar,
gosto de rio, gosto de chuva
que molha a terra e purifica o ar.
sábado, 13 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Desesquecida
Sinto que fui apagada...
E eu que pensei ser indelével.
A única marca que deixei
foi não ser lembrada.
Deixe-me voltar à vida!
Quero ser desesquecida
e ser de novo palpável
como uma quimera sua...
E eu que pensei ser indelével.
A única marca que deixei
foi não ser lembrada.
Deixe-me voltar à vida!
Quero ser desesquecida
e ser de novo palpável
como uma quimera sua...
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Como quem respira...
Tenho muitos amores
e tenho nenhum,
pois não os amo de fato.
Receio a solidão apenas...
Procuro em alguém
algo que não eu,
estando ali a felicidade ou não.
Me apaixono como quem respira,
sendo a paixão o ar
que me mantém viva.
Mas não vivo o amor.
O amor é eterno,
mas a paixão é efêmera
como a própria vida.
e tenho nenhum,
pois não os amo de fato.
Receio a solidão apenas...
Procuro em alguém
algo que não eu,
estando ali a felicidade ou não.
Me apaixono como quem respira,
sendo a paixão o ar
que me mantém viva.
Mas não vivo o amor.
O amor é eterno,
mas a paixão é efêmera
como a própria vida.
domingo, 30 de novembro de 2008
Deus
Deus sabe quem são os seus:
somos todos nós.
A gente que não se rende...
Mas aquele que sente
o fogo do espírito queimar
e a fonte de água viva jorrar
verdadeiramente conhece
o Reino dos Céus:
este descobriu que também é Deus.
somos todos nós.
A gente que não se rende...
Mas aquele que sente
o fogo do espírito queimar
e a fonte de água viva jorrar
verdadeiramente conhece
o Reino dos Céus:
este descobriu que também é Deus.
sábado, 29 de novembro de 2008
Desejos
Esqueci de dormir
só pra lembrar que você existe.
O sono insiste,
mas o desejo é mais forte.
Queria não ser tão iludida
e não pensar que você pensa em mim.
Só queria que não tivesse fim
aquilo que nem começou,
mas que há de se perpetuar...
Preferia não chorar
nem sentir dor ou saudade.
Preferia adormecer tranqüila,
sonhar que foi apenas um sonho.
Queria abandonar esse vício estranho
de querer tatear a felicidade.
só pra lembrar que você existe.
O sono insiste,
mas o desejo é mais forte.
Queria não ser tão iludida
e não pensar que você pensa em mim.
Só queria que não tivesse fim
aquilo que nem começou,
mas que há de se perpetuar...
Preferia não chorar
nem sentir dor ou saudade.
Preferia adormecer tranqüila,
sonhar que foi apenas um sonho.
Queria abandonar esse vício estranho
de querer tatear a felicidade.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Talvez...
Talvez eu veja as coisas
mais doces do que realmente são.
Talvez eu seja ingênua,
muito romântica e sonhadora.
Talvez eu seja poeta,
literalmente uma amadora.
Talvez eu viva num outro mundo
onde habita a ilusão...
Talvez...
Ou quem sabe não seja eu.
Talvez as mentes estejam embrutecidas
e as almas sem leveza.
Talvez o gosto da vida esteja amargo
para quem não enxerga a beleza
de simplesmente existir
e poder acordar todo dia e dizer:
Deus, estou aqui!
mais doces do que realmente são.
Talvez eu seja ingênua,
muito romântica e sonhadora.
Talvez eu seja poeta,
literalmente uma amadora.
Talvez eu viva num outro mundo
onde habita a ilusão...
Talvez...
Ou quem sabe não seja eu.
Talvez as mentes estejam embrutecidas
e as almas sem leveza.
Talvez o gosto da vida esteja amargo
para quem não enxerga a beleza
de simplesmente existir
e poder acordar todo dia e dizer:
Deus, estou aqui!
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Algemada
Devia não estar presa a você.
É incompreensível tal apego,
tamanho desassossego
que provoca esta prisão.
Voluntária, mas não definitiva.
Essa história aflitiva
que componho quando contigo
me deixa à flor da pele,
com frio na barriga e no coração.
Já que tenho a chave,
melhor destrancar a algema
antes que ela se trave
e eu não consiga mais me soltar.
É incompreensível tal apego,
tamanho desassossego
que provoca esta prisão.
Voluntária, mas não definitiva.
Essa história aflitiva
que componho quando contigo
me deixa à flor da pele,
com frio na barriga e no coração.
Já que tenho a chave,
melhor destrancar a algema
antes que ela se trave
e eu não consiga mais me soltar.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Sem nome
Teu sono intranqüilo
não é menos bonito
que qualquer outro sono.
Talvez eu não esteja em teu sonho,
mas estou aqui a teu lado,
imóvel para não te acordar.
E pensar que nunca pensei
sobre como seria não dormir
e apenas contemplar o rosto
adormecido de quem
parece que nunca dorme.
Envolta em braços e pernas ,
permaneço quieta...
O momento se completa
ao descobrir que estou sentindo
um sentimento sem nome.
não é menos bonito
que qualquer outro sono.
Talvez eu não esteja em teu sonho,
mas estou aqui a teu lado,
imóvel para não te acordar.
E pensar que nunca pensei
sobre como seria não dormir
e apenas contemplar o rosto
adormecido de quem
parece que nunca dorme.
Envolta em braços e pernas ,
permaneço quieta...
O momento se completa
ao descobrir que estou sentindo
um sentimento sem nome.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Enterro
É hora de partir.
Mal cheguei, tenho de ir.
Seque as lágrimas e o suor.
Seque também seu amor.
Limpe os vestígios de mim
que ficaram sobre o tapete.
Apague de sua mente
minha imagem distorcida.
Já te expulsei da minha vida
antes mesmo de te conhecer.
Quando vier o amanhecer,
finja que nunca estive aqui.
Se não der, pense que morri.
E que não enviei convite
para acompanhar meu enterro...
Mal cheguei, tenho de ir.
Seque as lágrimas e o suor.
Seque também seu amor.
Limpe os vestígios de mim
que ficaram sobre o tapete.
Apague de sua mente
minha imagem distorcida.
Já te expulsei da minha vida
antes mesmo de te conhecer.
Quando vier o amanhecer,
finja que nunca estive aqui.
Se não der, pense que morri.
E que não enviei convite
para acompanhar meu enterro...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Quarto
Basta eu escutar essa música
e você surge na minha frente.
O quarto se enche de gente:
uma multidão de eu e você.
E dançamos pelo vazio
entre os móveis,
passeando pelo caminho
entre o chão e o teto.
Não há nada concreto
além dos nossos corpos almados:
nem o quarto, nem a cama
onde estamos deitados
nos permitindo não pensar.
Pensamentos são voláteis,
mas não invioláveis.
Melhor sentir...
Pois sentimento não se entende:
apenas se sente.
e você surge na minha frente.
O quarto se enche de gente:
uma multidão de eu e você.
E dançamos pelo vazio
entre os móveis,
passeando pelo caminho
entre o chão e o teto.
Não há nada concreto
além dos nossos corpos almados:
nem o quarto, nem a cama
onde estamos deitados
nos permitindo não pensar.
Pensamentos são voláteis,
mas não invioláveis.
Melhor sentir...
Pois sentimento não se entende:
apenas se sente.
domingo, 9 de novembro de 2008
Saudade
Tenho saudade de você,
mesmo que não seja recíproco.
A vontade que me bate
é de soltar um grito rouco,
feito aqueles loucos das praças
e ruas de que não sabemos o nome.
Sinto fome do seu beijo...
Rastejo na cama em busca de seu corpo.
Por pouco não me perco no sonho,
tão palpável que jurei não ter sido...
Os sentidos se fundem:
um macio cheiro azul-hortelã
invade meu pseudo-divã
soprando o som da sua voz rasgada.
E a sagrada paixão que penso que sinto
é menos pensada e mais insensata,
tão intensa quanto a falta que você faz.
mesmo que não seja recíproco.
A vontade que me bate
é de soltar um grito rouco,
feito aqueles loucos das praças
e ruas de que não sabemos o nome.
Sinto fome do seu beijo...
Rastejo na cama em busca de seu corpo.
Por pouco não me perco no sonho,
tão palpável que jurei não ter sido...
Os sentidos se fundem:
um macio cheiro azul-hortelã
invade meu pseudo-divã
soprando o som da sua voz rasgada.
E a sagrada paixão que penso que sinto
é menos pensada e mais insensata,
tão intensa quanto a falta que você faz.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Santa
Volto para casa
carregando em meu corpo
todos os pecados do mundo.
Pesam sobre mim agora
os desvios da humanidade,
que sempre foram meus.
Os erros imperdoáveis,
as falhas mais críticas.
Um dia serei santa.
Serei redimida pela culpa,
dor mais temível que o flagelo.
O sangue que escorre da consciência
é mais denso que o da carne:
jorra sobre a alma e a purifica.
Sofro pacientemente,
aguardando o dia do meu apocalipse.
carregando em meu corpo
todos os pecados do mundo.
Pesam sobre mim agora
os desvios da humanidade,
que sempre foram meus.
Os erros imperdoáveis,
as falhas mais críticas.
Um dia serei santa.
Serei redimida pela culpa,
dor mais temível que o flagelo.
O sangue que escorre da consciência
é mais denso que o da carne:
jorra sobre a alma e a purifica.
Sofro pacientemente,
aguardando o dia do meu apocalipse.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Jogo
Tudo o que é escondido
é mais gostoso
porque é perigoso,
porque é excitante.
Mesmo hesitante,
aceitei seu jogo
nada claro
para o meu faro
de mulher pouco experiente.
Você disse: tente!
Tentada fui, aqui estou.
Não há ganhador,
apenas dois jogadores
sem culpa e sem temores
de que sua banca seja descoberta.
A janela está aberta...
é mais gostoso
porque é perigoso,
porque é excitante.
Mesmo hesitante,
aceitei seu jogo
nada claro
para o meu faro
de mulher pouco experiente.
Você disse: tente!
Tentada fui, aqui estou.
Não há ganhador,
apenas dois jogadores
sem culpa e sem temores
de que sua banca seja descoberta.
A janela está aberta...
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