sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Assim seja

Não aja como se
qualquer coisa fosse poesia,
mesmo que assim seja.
Prefiro descrer do insípido
sabor do dia a dia
para não perder o agridoce
poema que amo:
a minha amarga vida.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Poesia


Ando à caça de alguma poesia, visível ou invisível,
dessa que só o cotidiano sabe... Alguém me arruma?
Me arruma também uma felicidade que cabe em si,
mas transborda dos outros, uma felicidade simples
e, por isso, rara.  Tá difícil de encontrar.
E, por favor, se der, me ache também palavras
variadas e consistentes, que eu possa doar
depois de burilar. Quero juntá-las e fazer arte.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Degustação

Catar palavras pra um poema
é tarefa pra mais de anos.
Mas depois tem que
juntar,
peneirar, 
misturar
e, às vezes, descartar...
Não se trata de escrever apenas:
é plantar, 
colher ,
preparar 
e comer.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Poema Presença

Me deparei com a angústia
de quem parte e deixa partir.
Faz parte de tudo que li:
Ausência...
Mas não tem dor.
São palavras de certo Poetinha,
que é qualquer coisa de vida,
qualquer coisa de triste,
qualquer coisa de ser,
qualquer coisa de dúvida...
Fui. Foste. Fomos.
Não estar é, antes de tudo,
se fazer presente.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ora.

Reza.
A fé que nos move
é a mesma que nos trava.
Crê.
Não se precisa ver
para ter certeza.
Segue.
Caminhar em frente
às vezes requer voltas.
Ama.
Sentir é de fato
o maior ato do ser.

terça-feira, 22 de março de 2011

Melado

Saboreei teus lábios
como quem nunca comeu melado.
Me fiz doce desde então...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Ouvi dizer muitas coisas
sobre a vida, sobre a morte,
sobre a sorte, sobre o medo...
sobre o mundo!
Em nada acreditei de pronto.
Tudo tão sem imaginação!
Quero viver o absurdo,
aquilo que é improvável,
sem delimitações entre
o que quero e o que posso.
Inventar é viver!
Eu hoje recriei você...

Frugal

Caberia em mim o genérico,
mas possuo um dom único.
Deveria ser chamada hiperbólica
e também creio que talvez
meu melhor adjetivo não seja frugal:
aprecie sem moderação!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fraco

Tenho um fraco por ilusões
desmedidas, fertéis.
Acredito no que pressinto,
duvido do que vejo.
Leio o que não está
escrito na tua testa,
mas sim na tua lábia
que não me faz sequer falta .

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Regras

Sou dessas mulheres
que na unha só usa vermelho
e que o batom é a única maquiagem:
a pintura apaga minha beleza.
Visto qualquer roupa pra sair
desde que combine com os brincos.
Algumas coisas são meros enfeites...
Quanto mais inútil o objeto,
mais bonito deve ser
para que se justifique seu uso.
Essa regra também se aplica
aos homens...

domingo, 19 de setembro de 2010

Falando de mim

Sinto tanto e tantas coisas...
Sou arrojada e retrô.
Quero amor, mas detesto
tudo o que vejo.
Adoro azul e cinza,
de preferência separados.
Não tenho como caber em mim
porque meu ego
é maior que meu corpo.
Preciso provar diversos gostos
e abandonar todas as certezas.
Agora, falando de você,
sou muita mulher
para um homem só.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Líricos

Seus olhos líricos...
Me perco com facilidade.
Enveredo por esses girassóis
que me consomem o tempo.
Passo horas a admirar
e a andar por entre as frestas
de seu olhar florido.
Lirismo puro.
Eu sou o lírio em meio
ao campo de girassóis.

Regresso

Poesia, aqui me tens de regresso!
Desculpe ter te abandonado.
Precisei andar em outras searas
para descobrir que pertenço a ti.
Tentei fugir dos versos,
escapar das rimas e melodias...
Para que, enfim?
Só para que eu soubesse
que ser poeta é meu fim.

domingo, 4 de julho de 2010

Bolo

Fiz um bolo pensando em você.
Esperei sua chegada como
uma criança aguarda Papai Noel.
Mas você não veio...
O bolo ainda está guardado.
Deve estar duro e seco
como o bolo que você me deu.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Confissões

Tenho o péssimo hábito
de despertar amores.
Não sei o que se passa
na cabeça dos homens...
Fazem mil declarações cafajestes,
que se eu fosse mais ingênua
cairia como uma tonta!
Parodeando um certo poema,
não sou tão irresistível
que não possa sofrer,
nem tão romântica
que não possa enganar.
Mas sou paixão acima de tudo.

domingo, 6 de junho de 2010

Dúvida

Frágil a ponto de ser inquebrável,
pois já não há o que despedaçar...
Derradeira vontade em vão
de ainda tentar divagar.
O que era crença transborda
do cálice da certeza absorta
e derrama sobre a dúvida,
eterna e indissoluta...

O nada

Senti que estava vazia.
Minha alma fugira,
meu corpo se esvaía
enquanto eu sonhava:
fez-se em mim o nada.

Silêncio

Como se não bastasse o frio,
o silêncio invadiu minha casa.
Trouxe a solidão consigo.
É absurdo sentir desejo
quando o nada é o que se tem?
Não... mas é inútil.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Versos banais

Encontrei um escrito forjado
como se fosse verdade.
Apenas versos banais,
uma bobagem de poema.
Algumas das palavras
que dediquei a ninguém.

domingo, 30 de maio de 2010

Musa

Li seus poemas
e me vi ali, escrita.
Cada musa tem
o poeta que merece.