O sol não veio hoje
Pois a névoa encobriu o céu
Meu rosto não sorriu,
se anuviou...
O frio me seguiu
O calor não me abrasou
E essa sutil rota
Que faz meu corpo todo
Entre roupas rotas
À procura de uma cama quente
É para chorar o sol
Que não veio hoje.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Máscara
Se as cortinas se abrirem
E a máscara cair
Tente não perder o encanto.
Mais que um personagem
É uma pessoa que ali está
Que não quis se mostrar
Se camuflou para se proteger.
No teatro da vida
Faz parte recriar-se,
Reinventar-se, rearrumar-se.
Ser outro para ser você.
E a máscara cair
Tente não perder o encanto.
Mais que um personagem
É uma pessoa que ali está
Que não quis se mostrar
Se camuflou para se proteger.
No teatro da vida
Faz parte recriar-se,
Reinventar-se, rearrumar-se.
Ser outro para ser você.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Título
Sou como livro.
Tenho título e subtítulo.
Autor e ilustrador.
Capa vistosa.
Conteúdo interessante.
Algumas reticências...
Muitas palavras!
Páginas e páginas de histórias.
Boa parte de memórias.
Leia também nas entrelinhas.
Tenho título e subtítulo.
Autor e ilustrador.
Capa vistosa.
Conteúdo interessante.
Algumas reticências...
Muitas palavras!
Páginas e páginas de histórias.
Boa parte de memórias.
Leia também nas entrelinhas.
terça-feira, 30 de março de 2010
Cara no chão.
Passando pelos becos da cidade,
uma cena chamou minha atenção:
vi o amor descendo a ladeira
prestes a cair de cara no chão.
uma cena chamou minha atenção:
vi o amor descendo a ladeira
prestes a cair de cara no chão.
Imemória
Por que rasguei as lembranças
de uma vida inexistente?
Sabe-se lá Deus
o que se passa por detrás
das difíceis mentes...
Engessada, a memória falhou.
Doce foi perder o que não tive.
E triste foi saber que aconteceu.
de uma vida inexistente?
Sabe-se lá Deus
o que se passa por detrás
das difíceis mentes...
Engessada, a memória falhou.
Doce foi perder o que não tive.
E triste foi saber que aconteceu.
Murmúrios sentimentais
Perdidas as crenças,
velam-se os sonhos
contidos em si.
Pertence a quem
tamanha maldade?
Repetidos versos
coroam a negação:
vozes secas e sós
assolam as preces
dos mais devotos
murmúrios sentimentais.
velam-se os sonhos
contidos em si.
Pertence a quem
tamanha maldade?
Repetidos versos
coroam a negação:
vozes secas e sós
assolam as preces
dos mais devotos
murmúrios sentimentais.
segunda-feira, 22 de março de 2010
La vie en rose
Havia me jurado
pela vida inteira
e não menos que isso.
Agora não vejo mais
la vie en rose.
pela vida inteira
e não menos que isso.
Agora não vejo mais
la vie en rose.
sábado, 20 de março de 2010
Por quê?
Por que amar alguém
cujo rosto é mistério
cujo segredo reside
em não expressar o óbvio.
Por que amar alguém
tão diferente e intenso
tão verdadeiro e manso
guardando para si
o instito ávido de existir.
Por que amar alguém?
cujo rosto é mistério
cujo segredo reside
em não expressar o óbvio.
Por que amar alguém
tão diferente e intenso
tão verdadeiro e manso
guardando para si
o instito ávido de existir.
Por que amar alguém?
quinta-feira, 18 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Estar
Espero olhares...
espelho desejos
espalho amores
espio rumores
esboço bordejos
esgoto os mares.
espelho desejos
espalho amores
espio rumores
esboço bordejos
esgoto os mares.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Tristeza
Às vezes eu sei o que é tristeza.
Nem sempre a reconheço
e nego até a morte que ela exista.
Ainda sim sei que sou triste,
não porque sinto a tristeza
mas porque a vivo.
Nem sempre a reconheço
e nego até a morte que ela exista.
Ainda sim sei que sou triste,
não porque sinto a tristeza
mas porque a vivo.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Capitular
Caminho sozinha.
Não sei aonde irei
em busca das palavras
que nunca direi.
Vejo cores repletas de alma,
almas repletas de dores,
dores repletas de calma,
calma repleta de cores.
É um cenário singular e imenso.
Irregular, posto que é intenso,
e capitular, posto que é meu.
Não sei aonde irei
em busca das palavras
que nunca direi.
Vejo cores repletas de alma,
almas repletas de dores,
dores repletas de calma,
calma repleta de cores.
É um cenário singular e imenso.
Irregular, posto que é intenso,
e capitular, posto que é meu.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Nuvem
Vulnerável.
Incrivelmente sem chão,
rasgado de ponta a ponta
pelo temor impalpável.
Sem lembranças,
segue seu caminho só.
Conhece apenas o sol
e seus pensamentos de criança.
Vaga.
É somente nuvem,
mas não consegue chover.
Nem mesmo se enxerga.
Incrivelmente sem chão,
rasgado de ponta a ponta
pelo temor impalpável.
Sem lembranças,
segue seu caminho só.
Conhece apenas o sol
e seus pensamentos de criança.
Vaga.
É somente nuvem,
mas não consegue chover.
Nem mesmo se enxerga.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Casca
Já nem sei se moro em mim.
Perdi o que tinha de bom:
sucumbi.
Sou casca: seca e oca.
O gosto que tenho na boca
não reconheço,
só sinto áspera a língua,
parece estar do avesso.
Acho que fui ferida.
Mas não senti.
Acho que não tenho vida,
mas nem soube que morri...
Perdi o que tinha de bom:
sucumbi.
Sou casca: seca e oca.
O gosto que tenho na boca
não reconheço,
só sinto áspera a língua,
parece estar do avesso.
Acho que fui ferida.
Mas não senti.
Acho que não tenho vida,
mas nem soube que morri...
domingo, 5 de abril de 2009
Raiz
Renda-se a mim
como se rende
ao amor infindo.
Fique sempre,
não menos que isso,
pois serei o chão
onde fincará sua raiz.
Se quiser ficar longe,
será a distância de um triz.
E se quiser ir embora,
vá para dentro de mim.
Já é todo e não parte,
meu inteiro, não metade.
como se rende
ao amor infindo.
Fique sempre,
não menos que isso,
pois serei o chão
onde fincará sua raiz.
Se quiser ficar longe,
será a distância de um triz.
E se quiser ir embora,
vá para dentro de mim.
Já é todo e não parte,
meu inteiro, não metade.
Rua sem saída
Corre de mim sem verdade.
Finge ir para longe
mas está mesmo tão aqui
e não menos distante
que um palmo de caminho:
um milímetro de si.
Se evita figurar saudade,
foge sem hesitar
e sem deixar memórias.
Leve na mala as histórias,
as mentiras e as lições de vida.
Atravesse a rua sem medo,
mesmo sabendo que é sem saída.
Finge ir para longe
mas está mesmo tão aqui
e não menos distante
que um palmo de caminho:
um milímetro de si.
Se evita figurar saudade,
foge sem hesitar
e sem deixar memórias.
Leve na mala as histórias,
as mentiras e as lições de vida.
Atravesse a rua sem medo,
mesmo sabendo que é sem saída.
domingo, 29 de março de 2009
Fresta
Olho pela fresta
e vejo seu vulto imóvel.
Parece não ser você,
mas sei que é.
Não chego perto,
já que me faltam pernas
voluntárias para tal.
Não duvido um segundo
da sua presença insignificante.
Roubo-me o direito
de sentir desprezo somente
e cometo o delito de ir embora
porque tenho vontade de ficar...
e vejo seu vulto imóvel.
Parece não ser você,
mas sei que é.
Não chego perto,
já que me faltam pernas
voluntárias para tal.
Não duvido um segundo
da sua presença insignificante.
Roubo-me o direito
de sentir desprezo somente
e cometo o delito de ir embora
porque tenho vontade de ficar...
terça-feira, 24 de março de 2009
Meio mar, meio lago
E se as vidas já não se encontram,
mesmo saudosas, plenas de vazio,
o tempo se encarrega de atenuar
o resquício da partida repentina.
Tenho por saída um breve choro,
meio mar, meio lago...
mesmo saudosas, plenas de vazio,
o tempo se encarrega de atenuar
o resquício da partida repentina.
Tenho por saída um breve choro,
meio mar, meio lago...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Meio literário
Hoje acordei meio literário.
Tirei do armário
meus melhores poemas
e meus melhores amores.
Guardei na gaveta
minha humilde caneta
e escrevi com os olhos
o que me disseram as flores.
Descobri dobrados
versos que nunca mais li,
aqueles que esqueci
para que eu fosse lembrado.
E senti o perfume de novo
das velhas palavras cativas,
que se mantêm vivas
por eu tê-las apagado...
Tirei do armário
meus melhores poemas
e meus melhores amores.
Guardei na gaveta
minha humilde caneta
e escrevi com os olhos
o que me disseram as flores.
Descobri dobrados
versos que nunca mais li,
aqueles que esqueci
para que eu fosse lembrado.
E senti o perfume de novo
das velhas palavras cativas,
que se mantêm vivas
por eu tê-las apagado...
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