Por que amar alguém
cujo rosto é mistério
cujo segredo reside
em não expressar o óbvio.
Por que amar alguém
tão diferente e intenso
tão verdadeiro e manso
guardando para si
o instito ávido de existir.
Por que amar alguém?
sábado, 20 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Estar
Espero olhares...
espelho desejos
espalho amores
espio rumores
esboço bordejos
esgoto os mares.
espelho desejos
espalho amores
espio rumores
esboço bordejos
esgoto os mares.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Tristeza
Às vezes eu sei o que é tristeza.
Nem sempre a reconheço
e nego até a morte que ela exista.
Ainda sim sei que sou triste,
não porque sinto a tristeza
mas porque a vivo.
Nem sempre a reconheço
e nego até a morte que ela exista.
Ainda sim sei que sou triste,
não porque sinto a tristeza
mas porque a vivo.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Capitular
Caminho sozinha.
Não sei aonde irei
em busca das palavras
que nunca direi.
Vejo cores repletas de alma,
almas repletas de dores,
dores repletas de calma,
calma repleta de cores.
É um cenário singular e imenso.
Irregular, posto que é intenso,
e capitular, posto que é meu.
Não sei aonde irei
em busca das palavras
que nunca direi.
Vejo cores repletas de alma,
almas repletas de dores,
dores repletas de calma,
calma repleta de cores.
É um cenário singular e imenso.
Irregular, posto que é intenso,
e capitular, posto que é meu.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Nuvem
Vulnerável.
Incrivelmente sem chão,
rasgado de ponta a ponta
pelo temor impalpável.
Sem lembranças,
segue seu caminho só.
Conhece apenas o sol
e seus pensamentos de criança.
Vaga.
É somente nuvem,
mas não consegue chover.
Nem mesmo se enxerga.
Incrivelmente sem chão,
rasgado de ponta a ponta
pelo temor impalpável.
Sem lembranças,
segue seu caminho só.
Conhece apenas o sol
e seus pensamentos de criança.
Vaga.
É somente nuvem,
mas não consegue chover.
Nem mesmo se enxerga.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Casca
Já nem sei se moro em mim.
Perdi o que tinha de bom:
sucumbi.
Sou casca: seca e oca.
O gosto que tenho na boca
não reconheço,
só sinto áspera a língua,
parece estar do avesso.
Acho que fui ferida.
Mas não senti.
Acho que não tenho vida,
mas nem soube que morri...
Perdi o que tinha de bom:
sucumbi.
Sou casca: seca e oca.
O gosto que tenho na boca
não reconheço,
só sinto áspera a língua,
parece estar do avesso.
Acho que fui ferida.
Mas não senti.
Acho que não tenho vida,
mas nem soube que morri...
domingo, 5 de abril de 2009
Raiz
Renda-se a mim
como se rende
ao amor infindo.
Fique sempre,
não menos que isso,
pois serei o chão
onde fincará sua raiz.
Se quiser ficar longe,
será a distância de um triz.
E se quiser ir embora,
vá para dentro de mim.
Já é todo e não parte,
meu inteiro, não metade.
como se rende
ao amor infindo.
Fique sempre,
não menos que isso,
pois serei o chão
onde fincará sua raiz.
Se quiser ficar longe,
será a distância de um triz.
E se quiser ir embora,
vá para dentro de mim.
Já é todo e não parte,
meu inteiro, não metade.
Rua sem saída
Corre de mim sem verdade.
Finge ir para longe
mas está mesmo tão aqui
e não menos distante
que um palmo de caminho:
um milímetro de si.
Se evita figurar saudade,
foge sem hesitar
e sem deixar memórias.
Leve na mala as histórias,
as mentiras e as lições de vida.
Atravesse a rua sem medo,
mesmo sabendo que é sem saída.
Finge ir para longe
mas está mesmo tão aqui
e não menos distante
que um palmo de caminho:
um milímetro de si.
Se evita figurar saudade,
foge sem hesitar
e sem deixar memórias.
Leve na mala as histórias,
as mentiras e as lições de vida.
Atravesse a rua sem medo,
mesmo sabendo que é sem saída.
domingo, 29 de março de 2009
Fresta
Olho pela fresta
e vejo seu vulto imóvel.
Parece não ser você,
mas sei que é.
Não chego perto,
já que me faltam pernas
voluntárias para tal.
Não duvido um segundo
da sua presença insignificante.
Roubo-me o direito
de sentir desprezo somente
e cometo o delito de ir embora
porque tenho vontade de ficar...
e vejo seu vulto imóvel.
Parece não ser você,
mas sei que é.
Não chego perto,
já que me faltam pernas
voluntárias para tal.
Não duvido um segundo
da sua presença insignificante.
Roubo-me o direito
de sentir desprezo somente
e cometo o delito de ir embora
porque tenho vontade de ficar...
terça-feira, 24 de março de 2009
Meio mar, meio lago
E se as vidas já não se encontram,
mesmo saudosas, plenas de vazio,
o tempo se encarrega de atenuar
o resquício da partida repentina.
Tenho por saída um breve choro,
meio mar, meio lago...
mesmo saudosas, plenas de vazio,
o tempo se encarrega de atenuar
o resquício da partida repentina.
Tenho por saída um breve choro,
meio mar, meio lago...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Meio literário
Hoje acordei meio literário.
Tirei do armário
meus melhores poemas
e meus melhores amores.
Guardei na gaveta
minha humilde caneta
e escrevi com os olhos
o que me disseram as flores.
Descobri dobrados
versos que nunca mais li,
aqueles que esqueci
para que eu fosse lembrado.
E senti o perfume de novo
das velhas palavras cativas,
que se mantêm vivas
por eu tê-las apagado...
Tirei do armário
meus melhores poemas
e meus melhores amores.
Guardei na gaveta
minha humilde caneta
e escrevi com os olhos
o que me disseram as flores.
Descobri dobrados
versos que nunca mais li,
aqueles que esqueci
para que eu fosse lembrado.
E senti o perfume de novo
das velhas palavras cativas,
que se mantêm vivas
por eu tê-las apagado...
sábado, 10 de janeiro de 2009
Natureza
Lembre das nuvens,
disformes e brancas
tal um pensamento.
Pense também na água,
transparente e escorreita
tal a mais pura verdade.
Concentre-se na árvore,
fincada em sua terra
tal um homem em seu lugar.
Imagine a natureza,
o único todo que existe,
tal você e eu.
disformes e brancas
tal um pensamento.
Pense também na água,
transparente e escorreita
tal a mais pura verdade.
Concentre-se na árvore,
fincada em sua terra
tal um homem em seu lugar.
Imagine a natureza,
o único todo que existe,
tal você e eu.
O azul, o mar e o cheiro das rosas
Você me trouxe de volta
a cor, o cheiro e o sabor.
Recoloriu o azul,
tom da nossa poesia,
antes tão cinza
por que não mais existia.
Pôs no lugar as rosas
arrancadas de seu perfume,
quando este na verdade era belo
ainda que sem as flores
e aquelas bastante cheirosas
mesmo sem seus olores.
Devolveu ao mar o sal
que dele retirou
para torná-lo doce:
mas o fez insosso.
O mar é melhor salgado
do que sem gosto...
a cor, o cheiro e o sabor.
Recoloriu o azul,
tom da nossa poesia,
antes tão cinza
por que não mais existia.
Pôs no lugar as rosas
arrancadas de seu perfume,
quando este na verdade era belo
ainda que sem as flores
e aquelas bastante cheirosas
mesmo sem seus olores.
Devolveu ao mar o sal
que dele retirou
para torná-lo doce:
mas o fez insosso.
O mar é melhor salgado
do que sem gosto...
domingo, 4 de janeiro de 2009
Repleta
Cada vez que olho pro seu rosto,
passeio por cada detalhe ínfimo
à procura de um olhar íntimo,
cúmplice dos meus olhos.
Parece que não encontro
as palavras e os gestos.
Mas seus beijos me encontram
e nem penso mais.
Sua presença me apraz
e isso é o que basta
para que a felicidade aconteça.
Desde que seu abraço me amorteça
sempre que nele me lançar,
a vida se tornará mais completa,
existindo só nós dois: repleta.
passeio por cada detalhe ínfimo
à procura de um olhar íntimo,
cúmplice dos meus olhos.
Parece que não encontro
as palavras e os gestos.
Mas seus beijos me encontram
e nem penso mais.
Sua presença me apraz
e isso é o que basta
para que a felicidade aconteça.
Desde que seu abraço me amorteça
sempre que nele me lançar,
a vida se tornará mais completa,
existindo só nós dois: repleta.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Chuva
Chove aqui dentro.
Um garoa constante
que me enche aos poucos
até chegar aos olhos.
As lágrimas não são lágrimas:
são gotas da fina chuva
transbordando de mim.
Água doce, água salgada...
Água amarga e sem cor.
Água sem sabor como toda água.
Chuva chorada sem pressa,
sem represas e barragens.
Escorrem os filetes pelo rosto
até a boca sentir o gosto de mar,
gosto de rio, gosto de chuva
que molha a terra e purifica o ar.
Um garoa constante
que me enche aos poucos
até chegar aos olhos.
As lágrimas não são lágrimas:
são gotas da fina chuva
transbordando de mim.
Água doce, água salgada...
Água amarga e sem cor.
Água sem sabor como toda água.
Chuva chorada sem pressa,
sem represas e barragens.
Escorrem os filetes pelo rosto
até a boca sentir o gosto de mar,
gosto de rio, gosto de chuva
que molha a terra e purifica o ar.
sábado, 13 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Desesquecida
Sinto que fui apagada...
E eu que pensei ser indelével.
A única marca que deixei
foi não ser lembrada.
Deixe-me voltar à vida!
Quero ser desesquecida
e ser de novo palpável
como uma quimera sua...
E eu que pensei ser indelével.
A única marca que deixei
foi não ser lembrada.
Deixe-me voltar à vida!
Quero ser desesquecida
e ser de novo palpável
como uma quimera sua...
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Como quem respira...
Tenho muitos amores
e tenho nenhum,
pois não os amo de fato.
Receio a solidão apenas...
Procuro em alguém
algo que não eu,
estando ali a felicidade ou não.
Me apaixono como quem respira,
sendo a paixão o ar
que me mantém viva.
Mas não vivo o amor.
O amor é eterno,
mas a paixão é efêmera
como a própria vida.
e tenho nenhum,
pois não os amo de fato.
Receio a solidão apenas...
Procuro em alguém
algo que não eu,
estando ali a felicidade ou não.
Me apaixono como quem respira,
sendo a paixão o ar
que me mantém viva.
Mas não vivo o amor.
O amor é eterno,
mas a paixão é efêmera
como a própria vida.
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